O vice-governador Felipe Camarão (PT) tornou-se personagem central na disputa pelo Governo do Maranhão, um cenário que caminha para uma provável polarização entre Orleans Brandão (MDB) e Eduardo Braide (PSD). Embora o petista garanta que não renuncia ao cargo e que será candidato ao Palácio dos Leões, outras alternativas permanecem abertas para a manutenção de sua trajetória política.
É evidente que seu objetivo principal é concorrer ao governo estadual. O caminho natural para tal seria a renúncia de Carlos Brandão até 4 de abril, mantendo a coerência do grupo político forjado em 2014 com Flávio Dino. Entretanto, devido à relação desgastada nos últimos anos, Brandão receia que, ao assumir, Felipe o isole politicamente após a eleição para o Senado. Para o atual governador, o mandato de oito anos de senador soaria, neste contexto, como uma aposentadoria política precoce.
Como a renúncia de Brandão em favor de Camarão torna-se uma hipótese cada vez mais remota, o vice-governador avalia outros cenários. A vaga de conselheiro do TCE já foi descartada; Felipe afirmou categoricamente que o posto não lhe interessa, visto que as prerrogativas da função ele já possui como procurador federal — argumento que os próprios brandonistas passaram a admitir como válido.
Diante do impasse, Carlos Brandão articula uma nova oferta: garantir a Felipe uma vaga de deputado federal, condicionada à sua renúncia da vice-governadoria. Nesse arranjo, Brandão também renunciaria, abrindo caminho para a eleição indireta de Orleans pela Assembleia Legislativa, enquanto ele próprio disputaria o Senado.
Inicialmente, Felipe mostra-se irredutível. Isso tem levado os aliados do governo a cogitar uma proposta mais robusta: a vaga ao Senado. O desafio, contudo, seria acomodar Weverton Rocha (PDT), que ainda figura como a opção prioritária do grupo para a Câmara Alta.
Visto que Camarão rejeita qualquer proposta governista que não inclua a cabeça de chapa, ele passa a considerar uma aliança com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), como uma alternativa viável.
Os primeiros esboços desenham Braide como candidato ao governo com o apoio de Felipe, que concorreria a deputado federal. Em troca, haveria a possibilidade de apoio a Camarão na disputa pela Prefeitura de São Luís em 2028. Todavia, esse ponto exige alinhamento, já que Braide defende que sua vice, Esmênia, tem o direito natural de concorrer à reeleição municipal.
Nessa eventual aliança oposicionista, dificilmente haveria espaço para Felipe ao Senado, mas o foco imediato seria a derrota do grupo Brandão. Além disso, Braide avalia que a presença de um petista na chapa majoritária poderia trazer mais desgaste do que benefícios eleitorais.
Por último, um derradeiro cenário é colocado como possibilidade. Felipe manter sua pré-candidatura ao Governo, sua presença seria determinante para um segundo turno e neste situação declararia apoio a Eduardo Braide.
Orbitando todos esses possíveis caminhos para Felipe Camarão, estão diversos atores da política maranhense, como André Fufuca, Pedro Lucas Fernandes, Márcio Jerry, Iracema Vale e Rubens Júnior.
Fonte: Diego Emir



