Parte da mídia alinhada ao campo dinista tem tratado recentes fotos e gestos políticos de Felipe Camarão junto à cúpula nacional do PT como sinal de decisão tomada ou de veto definitivo a alternativas ligadas ao Palácio dos Leões. Essa leitura, porém, ignora elementos centrais da conjuntura.
O eixo dessa narrativa é a tese de que o nome de Orleans Brandão teria sido definitivamente descartado pela direção nacional do PT, a partir de conversas informais em Salvador, leitura apresentada como decisão consolidada, ainda que sem qualquer manifestação pública ou resolução formal do partido.
O primeiro ponto negligenciado é objetivo: o PT tem hoje força eleitoral para disputar sozinho o governo do Maranhão? As pesquisas disponíveis indicam que não. Levantamento do Real Time Big Data, de dezembro, mostra Eduardo Braide liderando a corrida, seguido por Orleans Brandão, enquanto Felipe Camarão aparece muito atrás.
Daí surge a segunda questão, igualmente ignorada pelo relatado: Lula aceitaria romper com um governador sem o apoio do Palácio dos Leões? Sem o respaldo dos Leões, significaria criar um novo foco de risco em um momento já delicado para o PT no Nordeste.
E esse é o terceiro ponto central: o contexto regional mudou. Onde Lula e o PT sempre reinaram com folga, hoje enfrentam dificuldades concretas. Na Bahia, após quase duas décadas de governos petistas, ACM Neto lidera as pesquisas contra o atual governador Jerônimo Rodrigues. No Ceará, Ciro Gomes aparece à frente de Elmano de Freitas, expondo fissuras num estado que sempre foi vitrine política do partido. No Rio Grande do Norte, o PT sequer apresenta, até agora, um nome competitivo para a sucessão de Fátima Bezerra. O vice, do MDB, já disse que é candidato a deputado estadual.
Diante desse quadro, é pouco plausível supor que Lula criaria mais um problema estratégico no Maranhão, abrindo mão do apoio de um governador aliado, com máquina, base política e capacidade de articulação local.
Por Pedro Almeida – Acarta Política

