Emendas parlamentares destoam do padrão dos países da OCDE; nos EUA,  parlamentares chegam a 1% do orçamento, no Brasil 24%, mostra pesquisa…Entre 2015 e 2024, os valores do orçamento da União dedicados às emendas parlamentares saltaram de 3,9 bilhões de reais, em valores corrigidos, para 48,3 bilhões de reais.

Emendas parlamentares destoam do padrão dos países da OCDE; nos EUA, parlamentares chegam a 1% do orçamento, no Brasil 24%, mostra pesquisa…

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📅 06/02/2025 18h37  •  Atualizado há 2 anos

Entre 2015 e 2024, os valores do orçamento da União dedicados às emendas parlamentares saltaram de 3,9 bilhões de reais, em valores corrigidos, para 48,3 bilhões de reais. Isso porque, a partir de 2013, uma série de alterações constitucionais e legais gradativamente tornou obrigatório o pagamento das emendas parlamentares ao orçamento e elevou o seu valor mínimo, além de criar novas modalidades de emendas.

As mudanças também obrigaram o Poder Executivo a reservar recursos crescentes a serem alocados pelos parlamentares e a indexar o valor mínimo obrigatório a ser alocado para emendas ao crescimento da receita, bem como a flexibilizar os requisitos de transparência e controle sobre o uso dos recursos.

Trata-se de um fenômeno raro entre países com boas práticas orçamentárias, como aponta um estudo inédito, de coautoria de Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper. Produzido em parceria com Hélio Tollini, ex-secretário federal de Orçamento e consultor de Orçamentos aposentado da Câmara dos Deputados, o trabalho compara a prática brasileira com as de 11 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A situação em 11 países

Uma das principais defesas da expansão das emendas é o argumento de que existe um padrão global de estabelecer que a definição das prioridades orçamentárias seja feita pelo Poder Legislativo. Não foi o que o trabalho constatou. A situação, em cada um dos 11 países analisados, é muito diferente da que se observa no Brasil.

1. Alemanha – O Parlamento pode apresentar e aprovar emendas ao orçamento. Nos últimos dois anos, as emendas parlamentares reduziram, em vez de aumentar, as dotações de despesas.

2. Austrália – O Parlamento australiano não pode emendar o orçamento. Em assuntos orçamentários, seu papel é debater e questionar o orçamento proposto.

3. Canadá – As comissões da Câmara dos Comuns e os parlamentares, podem recomendar, mas não impor, realocações ou reduções de despesas. Raramente alguma dessas propostas é aprovada.

4. Chile – O Parlamento não pode emendar o orçamento para aumentar as despesas, mas pode reduzir ou rejeitar unilateralmente qualquer item de despesa ou programa.

5. Coreia do Sul – O Poder Executivo precisa aprovar qualquer aumento pretendido pela Assembleia, a não ser que resultante da aprovação de emenda a alguma proposta de legislação tributária em tramitação, o que não ocorreu nos últimos cinco anos.

6. Espanha – Em teoria, as emendas são propostas unilateralmente pelo Parlamento. Entretanto, em geral, a maioria das emendas aprovadas foram aceitas ou mesmo sugeridas pelo Poder Executivo.

7. Estados Unidos – O processo começa com o Poder Executivo enviando ao Congresso uma solicitação de recursos. O Legislativo tem autoridade para refazer o orçamento. As emendas de interesse individual dos parlamentares estão limitadas a 1% da despesa discricionária (no Brasil, já chegam a 24%).

8. França – Poder Executivo tem forte influência sobre as emendas que são aprovadas. As emendas não podem provocar aumento na despesa total.

9. Itália – Poucas emendas são aprovadas e dependem da concordância do Executivo. Não podem elevar a despesa total e representam valor residual dentro do orçamento.

10. México – Emendas têm valor um pouco maior quando o Executivo não tem maioria no Congresso. Mesmo assim, o Executivo tem amplo controle sobre as emendas aprovadas e o valor total não passa de 5% das despesas discricionárias.

11. Portugal – O processo de proposição de emendas tem alguma semelhança com o brasileiro, no que diz respeito à inexistência de análise de custo-benefício. Porém, emendas aprovadas são em número muito menor que no Brasil e não necessariamente são executadas pelo Poder Executivo.

Fonte: Insper

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