O Informante
O deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) fez uma série de revelações durante entrevista ao podcast “O Que Pequeno?”, comandado pelo jornalista Weberth Saraiva. As declarações chamaram atenção não apenas pelos bastidores políticos narrados, mas também por aparentes contradições em relação ao discurso que o parlamentar vem adotando sobre a disputa pelo Governo do Maranhão.
Principal aliado da pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), Jerry tem sustentado publicamente que a candidatura de Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador Carlos Brandão (PSB), representa um “projeto familiar” de poder. No entanto, ao comentar episódios da sucessão estadual, revelou que, dentro do seu próprio grupo político, o nome considerado como consenso nunca foi Felipe Camarão.
Segundo o deputado, o candidato que reunia apoio interno era o deputado federal Rubens Pereira Júnior (PT).
“Naquele momento ali, uma das possibilidades que nós tínhamos de nome de consenso do grupo todinho era o nome do Rubens Júnior para o governo. (…) Implodiram o Rubens Júnior exatamente para não ter chance de ele se reabilitar como candidato a governador do grupo todo.“
A declaração contrasta com a atual defesa enfática da candidatura de Felipe Camarão, apresentada hoje por Jerry como prioridade do grupo político ligado ao ministro do STF Flávio Dino.
Relatório da Polícia Federal
Outro trecho da entrevista também repercutiu por envolver uma investigação conduzida pela Polícia Federal.
Ao comentar o episódio que classificou como uma “arapongagem” contra ele e Rubens Júnior, Márcio Jerry afirmou que determinadas informações constariam em relatório da Polícia Federal. “Tá lá o relatório da Polícia Federal.”
A fala chamou atenção porque investigações conduzidas pela Polícia Federal, especialmente durante a fase de inquérito, normalmente tramitam sob sigilo quando assim determinado pela autoridade competente. O deputado não explicou de que forma teve acesso ao documento mencionado nem detalhou se o relatório já integra procedimento público ou judicial.
Daniel Brandão em reunião política
Jerry também revelou detalhes de uma reunião realizada no Palácio dos Leões, em 2 de março de 2025, já durante o período em que Daniel Brandão exercia o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA).
Segundo o parlamentar, participaram do encontro o governador Carlos Brandão, Daniel Brandão, Orleans Brandão, Madeira e ele próprio.
“Estava lá Daniel Brandão, numa reunião na residência oficial para tratar de política.”
O relato ganha relevância porque Daniel Brandão que hoje preside o TCE-MA, órgão responsável por julgar contas de gestores públicos, teve sua indicação ao tribunal alvo de intensa judicialização.
Em 2024, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu o processo de escolha para uma vaga de conselheiro do TCE-MA em decisões tomadas no âmbito de ações propostas pelo partido Solidariedade e pela Procuradoria-Geral da República, que questionavam as regras adotadas pela Assembleia Legislativa.
Embora Jerry utilize como argumento político a existência de um suposto “projeto familiar” envolvendo a família Brandão, a entrevista também mostra que ele próprio participou de reuniões políticas no Palácio dos Leões após os rompimentos entre os grupos e na presença de Daniel Brandão, já integrante da Corte de Contas.
Defesa de Felipe Camarão
Apesar de afirmar que Rubens Pereira Júnior era o nome inicialmente considerado como consenso do grupo, Márcio Jerry reafirmou apoio integral à candidatura de Felipe Camarão.
Questionado sobre o fato de parte de seus aliados dialogar com outras candidaturas, como a do prefeito Eduardo Braide, Jerry não entrou em muitos detalhes mas disse acreditar que a unidade será consolidada durante a campanha.
“O Felipe Camarão vai percorrer esse Maranhão, vai crescer e vai disputar uma vaga no segundo turno das eleições deste ano.”
Assista a entrevista completa a seguir.
