Patrimônio histórico preserva a memória, estimula o turismo e fortalece a identidade dos municípios maranhenses…

Patrimônio histórico preserva a memória, estimula o turismo e fortalece a identidade dos municípios maranhenses…

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📅 17/08/2026 09h50

O patrimônio histórico é uma das maiores riquezas culturais do Maranhão e um importante motor para o turismo, a economia e a preservação da identidade dos municípios. No Dia Nacional do Patrimônio Histórico, celebrado em 17 de agosto, a Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) destaca o papel das administrações municipais na conservação de bens históricos que preservam a memória coletiva, movimentam o turismo cultural e fortalecem o desenvolvimento local.
São Luís, que integra a lista do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1997, é um dos principais exemplos da riqueza histórica do estado. O Centro Histórico da capital reúne um expressivo conjunto arquitetônico, com casarões revestidos por azulejos portugueses, igrejas, sobrados, praças e outros imóveis que retratam mais de quatro séculos da história maranhense. Além do valor histórico e arquitetônico, esse patrimônio contribui para o turismo cultural e movimenta uma cadeia de atividades ligadas ao artesanato, à cultura, à gastronomia, ao comércio e aos serviços.

Alcântara: história preservada às margens da Baía de São Marcos
A poucos quilômetros da capital, Alcântara preserva outro dos mais importantes conjuntos arquitetônicos coloniais do Maranhão e do Brasil. Tombada pelo IPHAN desde 1948, a cidade reúne igrejas, casarões, ruas de pedra e ruínas que contam parte da formação econômica, política e cultural do Maranhão. O patrimônio histórico convive com tradições como a Festa do Divino Espírito Santo e faz do município um importante destino do turismo histórico e religioso do estado.
Mais do que um conjunto de edificações históricas, Alcântara reúne patrimônio material e imaterial, tradições e saberes que ajudam a contar a história do Maranhão e a preservar a identidade de suas comunidades. É justamente essa relação entre memória, cultura, turismo e identidade que torna o município um dos destaques da pauta sobre o patrimônio histórico maranhense.
Para o prefeito de Alcântara, Nivaldo Araújo, a preservação do patrimônio vai além da conservação de construções históricas e está diretamente ligada à memória e à identidade da população. Ele destaca ainda a importância das comunidades quilombolas na formação cultural do município e defende que preservação e desenvolvimento caminhem juntos.
“O patrimônio histórico de Alcântara é muito mais do que um conjunto de prédios, ruínas e monumentos. Ele representa a história viva do nosso povo, das nossas origens e da formação da identidade cultural não apenas do município, mas de todo o Maranhão. Preservar Alcântara significa valorizar a trajetória do nosso povo, especialmente das comunidades quilombolas que ajudaram a construir a identidade cultural deste território e mantêm vivas tradições, saberes e manifestações que atravessaram gerações.”
Segundo o prefeito, a gestão municipal tem buscado fortalecer o diálogo com os órgãos de preservação e parceiros, ao mesmo tempo em que valoriza eventos culturais, manifestações tradicionais, artesanato, gastronomia e as expressões das comunidades quilombolas. Para ele, o grande desafio é encontrar o equilíbrio entre a proteção do patrimônio e as necessidades de desenvolvimento da cidade.
“Não podemos escolher entre preservar a história ou promover o desenvolvimento. Precisamos fazer as duas coisas. Precisamos proteger os casarões, as igrejas, as ruínas e os espaços históricos, mas também garantir que Alcântara continue avançando, gerando oportunidades e melhorando a qualidade de vida do seu povo.”

Patrimônio espalhado por todo o Maranhão
A riqueza histórica do Maranhão vai muito além de São Luís e Alcântara. Em diversas regiões do estado, municípios preservam bens arquitetônicos, religiosos, ferroviários e culturais reconhecidos pelos órgãos de preservação.
Em Caxias, o Complexo Fabril da União Caxiense representa um importante marco da industrialização maranhense e integra a memória do desenvolvimento econômico do estado. Municípios como Rosário, Codó, Viana, Guimarães, Tutóia e outros também conservam igrejas seculares, casarões, praças e edificações históricas que ajudam a contar diferentes capítulos da história maranhense.
Mais do que preservar construções antigas, essas cidades mantêm vivas tradições, fortalecem o sentimento de pertencimento das comunidades e ampliam seu potencial turístico.

Turismo cultural movimenta a economia
O patrimônio histórico tornou-se também um importante ativo econômico para os municípios. Além de atrair visitantes brasileiros e estrangeiros, os centros históricos impulsionam setores como hospedagem, gastronomia, artesanato, transporte, comércio e produção cultural.
São Luís e Alcântara concentram parte expressiva desse fluxo turístico, mas outros municípios também vêm investindo na valorização de seus patrimônios como estratégia de desenvolvimento local, fortalecendo roteiros turísticos e iniciativas de educação patrimonial.
Para a turista paulista Tacira Colerato, que visita o Maranhão durante as férias acompanhada de amigos de diferentes estados brasileiros, conhecer o patrimônio histórico foi uma das prioridades da viagem. Depois de visitar museus, igrejas, ela pretende conhecer Alcântara e destaca a relação entre preservação, identidade e turismo.
“Viemos passar as férias no Maranhão e fizemos questão de conhecer lugares que tenham relação com a história do estado. Já visitamos museus, igrejas e o Mercado das Tulhas e ainda queremos conhecer Alcântara, que nos disseram ser uma cidade linda, cheia de história, monumentos e ruínas. Estamos gostando muito do clima, da atmosfera e, principalmente, de perceber como a população valoriza e ama sua cultura. É muito importante preservar esse patrimônio, porque é justamente essa história e essa cultura que quem vem de fora quer conhecer. E essa preservação ajuda a estimular o turismo e a manter viva a herança histórica e cultural do Maranhão.”

Preservar é proteger a memória
Preservar um patrimônio histórico significa manter viva a memória de um povo e garantir que as futuras gerações compreendam a formação cultural, social e arquitetônica dos seus territórios. Mais do que conservar edificações antigas, a proteção do patrimônio fortalece a identidade das comunidades e amplia o potencial turístico e educativo dos municípios.
Para o superintendente do IPHAN no Maranhão, Júnior Verde, preservar o patrimônio cultural significa manter viva a memória coletiva e fortalecer o sentimento de pertencimento das comunidades. Ele ressalta que o patrimônio vai além das edificações históricas e inclui manifestações, saberes e tradições que ajudam a compreender a formação social e cultural do estado.
“A nossa identidade cultural é como um espelho da formação social, arquitetônica e cultural do povo maranhense, conectando o presente às suas raízes ancestrais. A preservação do patrimônio é fundamental para manter a memória coletiva, evitando o esquecimento de tradições, saberes e lutas locais e salvaguardando a história viva de cada comunidade. Esse sentimento de pertencimento fortalece o orgulho e o vínculo afetivo dos cidadãos com o lugar onde vivem e garante às futuras gerações o direito de conhecer, vivenciar e aprender com o legado material e imaterial herdado de seus antepassados.”
Segundo Júnior Verde, atualmente, o conceito mais adequado é o de patrimônio cultural que contempla tanto os bens materiais quanto os imateriais. No Maranhão, essa riqueza está presente em manifestações como o Bumba Meu Boi e o Tambor de Crioula, além de conjuntos arquitetônicos e bens individuais reconhecidos e protegidos pelo IPHAN em municípios como São Luís, Alcântara, Rosário e Pindaré-Mirim.
O superintendente também destaca o impacto do patrimônio na economia e no turismo, ressaltando que casarões, igrejas e manifestações culturais atraem visitantes e movimentam setores como hotelaria, gastronomia, artesanato, transporte e serviços de guia. Para ele, o desafio é fazer com que essa riqueza seja revertida também para as comunidades que mantêm o patrimônio vivo.
“Preservar os patrimônios culturais é a principal missão do IPHAN, mas sempre pensando nas pessoas, inclusive nas que vivem do e para o patrimônio. Existe um paradoxo: os grupos que mantêm o patrimônio vivo frequentemente ficam à margem dos lucros turísticos, enquanto os turistas aproveitam essa imersão para conhecer nossa cultura a fundo. O desafio é contribuir para uma melhor circulação dessa renda gerada pelo patrimônio e pelo turismo, porque o patrimônio cultural fortalece a economia criativa.”

Patrimônio que conecta passado, presente e futuro
Para a FAMEM, preservar o patrimônio histórico é investir no desenvolvimento sustentável dos municípios, fortalecer o turismo, incentivar a economia criativa e garantir que as futuras gerações conheçam e valorizem a história de seus territórios.
Ao apoiar iniciativas de conservação e valorização dos bens históricos, as gestões municipais reafirmam que cuidar da memória é também construir oportunidades para o presente e o futuro, mantendo vivo um patrimônio que pertence a todos os maranhenses.

Patrimônios históricos que ajudam a contar a história do Maranhão
São Luís – Centro Histórico, Patrimônio Mundial da UNESCO e patrimônio cultural tombado pelo IPHAN.
Alcântara – Conjunto Arquitetônico e Urbanístico, tombado pelo IPHAN, com casario colonial, igrejas e ruínas históricas.
Caxias – Complexo Ferroviário e patrimônio histórico urbano, ligado à história econômica e industrial do município.
Viana – Centro Histórico, Arquitetônico e Paisagístico, tombado pelo Estado do Maranhão.
Rosário – Conjunto histórico e patrimônio cultural, com edificações e referências religiosas e históricas.
Guimarães – Casario colonial, igrejas históricas e patrimônio cultural tradicional.
Carolina – Patrimônio histórico, cultural e arqueológico, incluindo sítios de pinturas e gravuras rupestres na região da Chapada das Mesas.
Pindaré-Mirim– Patrimônio histórico ligado à formação econômica e industrial do Maranhão.
Itapecuru-Mirim – Bens culturais e referências históricas ligados à formação do município e à memória regional.
Codó – Patrimônio cultural e manifestações tradicionais que integram a identidade do município.
Tutóia– Patrimônio arqueológico, com sambaquis, além da comunidade quilombola de Itaperinha e manifestações culturais como a Dança do Caroço e o Bumba-meu-boi.
São José de Ribamar – Patrimônio religioso e cultural, marcado pelo Santuário de São José de Ribamar e pelas manifestações de fé popular.
Baixada Maranhense – Patrimônio arqueológico representado pelas estearias, sítios pré-coloniais construídos em áreas alagadas.

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