Por Joaquim Haickel
Esta é a eleição do medo.
Medo de continuarmos sob um governo corrupto e aparelhado, no qual o Estado está a serviço de uma ideologia que se proclama democrática, mas apoia e incentiva a ruptura do devido processo legal, a perseguição de pessoas e grupos, o desrespeito à Constituição e práticas irresponsáveis que destroem a economia nacional.
Há também, do outro lado, o medo de que um novo governo possa significar a perda de liberdades individuais e coletivas e a redução de benefícios sociais; de que a diminuição do tamanho do Estado acarrete prejuízos para a classe artística; e de que o país sofra um retrocesso institucional capaz de conduzi-lo a um regime autoritário.
Esta é também a eleição da promessa vazia, da mentira e da compra disfarçada de votos.
São promessas repetidas ano após ano sobre medidas que seriam tomadas, mas nunca foram. Semeaduras anunciadas que jamais produziram colheitas e que voltam a ser prometidas sempre que interessam ao profeta. São números e índices manipulados para anestesiar uma plateia faminta e migalhas concedidas justamente na hora do voto.
Do outro lado, surgem promessas feitas por quem precisa apresentar-se como alternativa e, não encontrando outra saída, acaba recorrendo aos mesmos métodos daquele que pretende substituir. Promete o futuro sem saber se poderá realizá-lo, omite o que não lhe convém e silencia diante das verdades que poderiam afastar eleitores.
E eu, que vivi grande parte de minha vida na política e tanto me empenhei em compreender os mecanismos que a regem, sinto-me enojado. Minha capacidade de entendimento parece esgotada pelo cansaço e pela desesperança.
A última e única saída que consigo enxergar nasce de uma constatação elementar: não é admissível que as coisas continuem como estão.
Por mais incerto e imprevisível que seja o futuro, ainda me parece infinitamente mais aceitável do que a permanência deste presente, consolidado por um passado completamente desastroso.
Esta é a eleição do medo. Mas é justamente o medo de permanecer onde estamos que faz nascer a esperança de mudar.
