
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria aconselhado o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, a não vender a instituição financeira ao BTG Pactual durante reunião realizada no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024. Detalhes sobre o caso foran revelados no de semana pelo Uol.
Segundo a publicação, Vorcaro relatou a Lula que o BTG, comandado por André Esteves, teria interesse em adquirir o Banco Master por um valor simbólico de R$ 1. Diante do cenário, o presidente teria sugerido que o empresário permanecesse no mercado e aguardasse mudanças no comando do Banco Central.
De acordo com a reportagem, Lula teria mencionado que a autoridade monetária passaria a ter uma nova direção após o fim da gestão de Roberto Campos Neto. Na ocasião, Gabriel Galípolo, indicado pelo presidente para assumir o Banco Central, também participou do encontro.
Ainda segundo o Uol, a reunião contou com a presença dos ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Alexandre Silveira, de Minas e Energia, além do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e de Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master.
“O BTG, de André Esteves, quer comprar meu banco por R$ 1. Eu não quero confusão. Devo vender ou seguir no mercado? Nós queremos reduzir a concentração bancária do Brasil, presidente”. Lula ouviu e respondeu usando alguns palavrões para se referir ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, cujo mandato terminaria alguns dias depois. Houve críticas também direcionadas a André Esteves, chairman, sócio sênior e acionista controlador do BTG Pactual.
O principal conselho do presidente da República a Vorcaro foi para que seguisse com o Banco Master, sem aceitar a proposta de Esteves. Na reunião, estava presente Gabriel Galípolo, que em janeiro de 2025 passou a comandar a autoridade monetária.
A publicação afirma que o episódio integra o contexto investigado pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. Documentos apreendidos durante a investigação indicariam que a instituição financeira buscava alternativas de venda antes das negociações com o BRB.
O caso ganhou repercussão após mensagens obtidas pela investigação apontarem que Vorcaro teria considerado positiva a reunião no Planalto. Até o momento, não houve manifestação oficial do Palácio do Planalto sobre o conteúdo divulgado pela reportagem.

