Na manhã desta segunda-feira (18), o programa Diário Mais 99,9 recebeu a secretária municipal de Assistência Social, Trabalho e Renda (SEMAS), Gilvana Duailibe, para uma entrevista especial alusiva ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Na ocasião, estiveram presentes os conselheiros tutelares Paulo Henrique Silva dos Santos e Erismar Chagas Lima da Silva, e Juliana Rodrigues Cordeiro, psicóloga do CREAS.
Durante a conversa, Gilvana destacou a importância da data, instituída pela Lei Federal 9.970/2000 em memória ao trágico “Caso Araceli”, ocorrido em 1973 no Espírito Santo, quando uma menina de apenas 8 anos foi sequestrada, violentada e assassinada. O crime, que ficou impune por anos, tornou-se símbolo da luta pela proteção da infância no país. A secretária explicou que a campanha nacional “Faça Bonito” — representada pelo símbolo da flor catavento e pelo mês laranja — tem como objetivo principal quebrar o pacto do silêncio que muitas vezes cerca os casos de violência doméstica e institucional.
“Não adianta apenas o poder público agir. A denúncia precisa partir da vizinha, do professor, do familiar. Criança não mente sobre violência sexual. O silêncio é a principal arma do agressor”, enfatizou Gilvana.
Erismar Chagas destacou a importância da atuação do conselheiro tutelar no processo de apoio à criança e ao adolescente quando sofrem algum tipo de violência. “O trabalho do conselheiro tutelar serve de ponte entre a comunidade e a secretaria para que se pensem soluções ou políticas de prevenção contra a violência contra crianças e adolescentes”, afirmou.
Segundo dados do Disque 100, os números de denúncias crescem anualmente, mas ainda há subnotificação. A secretária reforçou os canais oficiais para acionar as autoridades: o próprio Disque 100 (funciona 24h, ligação gratuita), o Conselho Tutelar do município e, em casos de emergência ou flagrante, o 190 da Polícia Militar.
“É preciso que as crianças sejam ensinadas desde o início a não permitir que sejam tocadas sem consentimento, mesmo que sejam os próprios pais. Isso é de extrema importância, pois desse modo elas aprendem que o seu corpo é inviolável”, destacou Juliana Rodrigues.
Gilvana Duailibe também anunciou que a SEMAS promoverá, ao longo de maio, rodas de conversa em escolas e unidades de acolhimento, além de distribuição de material informativo nos bairros com maior vulnerabilidade social. “Proteger a infância é responsabilidade de todos. Não se cale. Faça bonito”, concluiu.
Como denunciar?
Denúncias de abuso ou exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser feitas anonimamente pelo Disque 100 ou pelo Conselho Tutelar mais próximo. Em caso de perigo iminente, ligue 190.

