O ato político realizado na segunda-feira, 1º de junho, com a presença do presidente nacional do PT, Edinho Silva, e do vice-governador Felipe Camarão, acabou gerando mais questionamentos do que demonstrações de força política dentro do Partido dos Trabalhadores no Maranhão.
Apesar da expectativa criada em torno da visita do dirigente nacional, o evento foi marcado pela ausência de importantes lideranças históricas do PT maranhense e de nomes que tradicionalmente ocupam papel central nos debates internos da legenda. Entre os ausentes estavam lideranças como Washington Oliveira, Zé Carlos, Zé Inácio, Bira, Luiz Henrique e Rubens Jr, além de outros quadros históricos que ajudaram a construir o partido no estado ao longo das últimas décadas.

A ausência dessas lideranças chamou atenção justamente em um momento em que Felipe Camarão busca consolidar seu projeto de candidatura ao Governo do Maranhão. Nos bastidores, o esvaziamento do encontro foi interpretado como um sinal de que o vice-governador vem perdendo o gás até mesmo dentro do partido, fato evidenciado com a estagnação do petista nas últimas pesquisas eleitorais.
O cenário ganha ainda mais relevância porque muitos dos principais nomes que deverão disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal pelo partido também não estiveram presentes. Em um processo eleitoral, a participação desses quadros costuma ser vista como um indicativo da capacidade de mobilização e articulação política de uma pré-candidatura.
Outro aspecto que repercutiu foi a declaração dada pelo próprio Edinho Silva na manhã da terça-feira (2), em entrevista à TV Mirante. Ao comentar o cenário político maranhense, o presidente nacional do PT adotou um tom conciliador e afastou qualquer perspectiva de confronto com o atual governo estadual.
“Da nossa parte, não vamos provocar ruptura nem criar contradições com o governo estadual”, afirmou.
A declaração foi interpretada por diversos observadores políticos como um sinal de que a direção nacional do PT não pretende estimular conflitos com a base governista no Maranhão, posição que contrasta com setores que defendem uma candidatura própria a qualquer custo.
O episódio também reforçou uma percepção crescente dentro do partido: a de que o debate sobre 2026 está longe de ser consensual. Enquanto uma ala defende a construção de alianças capazes de fortalecer o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado, outra insiste na candidatura própria como prioridade.

